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A anuidade promete pontos. R$ 1.000 sem ela viram R$ 1.938,12, garantidos

Anuidade paga por pontos incertos. Juros compostos garantem R$ 1.938,12 em 5 anos — a conta que o banco espera que você não faça.

A anuidade promete pontos. R$ 1.000 sem ela viram R$ 1.938,12, garantidos

A anuidade é garantida. As milhas, não.

Todo ano ela sai da sua conta, no dia certo, sem exceção. As milhas que ela promete em troca dependem de categoria, prazo de resgate e tabela que o banco muda quando quiser.

O mito: “a anuidade se paga sozinha”

O discurso do gerente é sempre o mesmo. Você gasta, acumula pontos, troca por passagem, e a anuidade “vira de graça” — como se fosse um investimento.

Só que investimento tem uma característica que milha não tem: taxa conhecida, antes de você entrar. Ponto de programa de fidelidade muda de valor depois que você já pagou a conta.

O dado que ninguém multiplica

Faça a conta ao contrário. Em vez de entregar o valor da anuidade pro banco, deixe ele render.

R$ 1.000 aplicados a 14,15% ao ano — o CDI de hoje — viram R$ 1.938,12 em 5 anos. Sem categoria, sem milhagem, sem letra miúda: só o dinheiro trabalhando.

Coloca a poupança do outro lado da mesa. Os mesmos R$ 1.000, na regra que só rende 0,5% ao mês mais TR porque a Selic está acima de 8,5% ao ano, chegam a menos da metade desse resultado no mesmo prazo.

O mecanismo: por que o banco ganha nos dois lados

Aqui está o pulo do gato que o marketing de cartão não explica. A anuidade é receita certa pro banco — ela entra no caixa dele todo ano, dinheiro parado, sem risco.

As milhas, ao contrário, são um passivo que o próprio banco controla: ele decide quantos pontos por real, quando desvaloriza a tabela, quanto cobra pra “resgatar mais rápido”. Você aposta numa moeda que a casa imprime.

Juros compostos não têm dono. A taxa do CDI sai do Banco Central, é pública, e ninguém muda a regra depois que você já aplicou.

E daí, na prática — por perfil de bolso

Guarda pouco no cartão? R$ 100 parados a 14,15% ao ano viram R$ 148,74 em 3 anos — R$ 141,43 já descontado o Imposto de Renda de 15%. Pra esse perfil, anuidade de qualquer valor tende a custar mais do que qualquer milha compensa.

Gasta alto e resgata milhas todo mês? Vale comparar contra o mesmo dinheiro rendendo sozinho: R$ 10.000 a 14,15% ao ano fecham em R$ 19.381,15 brutos em 5 anos, ou R$ 17.973,98 líquidos de IR. Se a milha que você resgatou no período vale mais que essa diferença de bolso pro bolso, a conta fecha a seu favor — mas é preciso realmente medir, não supor.

Tem rotativo aberto no mesmo cartão? Então a discussão de anuidade nem começou ainda. Zerar essa dívida rende mais que qualquer programa de pontos do mercado.

”Mas o meu primeiro ano é isento”

Isenção no ano 1 é prática comum — o banco sabe que cancelar dá trabalho e aposta que você esquece. A conta de juros compostos acima só vale a partir do momento em que a cobrança realmente começa a sair da sua conta.

Antes de aceitar a renovação automática do ano 2, simule quanto essa mesma anuidade renderia parada, mês a mês, na calculadora de juros compostos — e decida com o número na mão, não com a promessa de milha.

Em dez anos, o efeito composto de manter os R$ 1.000 rendendo em vez de virarem anuidade chega a R$ 3.756,29 brutos, ou R$ 3.342,85 líquidos com a alíquota de 15%. É o tipo de diferença que categoria de cartão nenhuma cobre sozinha.


Taxas: CDI (14,15% a.a.) e regra da poupança (Data Base 20/07/2026), Banco Central; alíquota de Imposto de Renda de 15% no regime regressivo para prazos acima de dois anos. Saldos calculados por juros compostos sobre essas taxas. Conteúdo educacional, não recomendação de produto financeiro.

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