Economia do dia a dia

Desemprego no menor patamar da história (5,6%) — e um rombo de R$ 61,7 bi: o saldo que Haddad deixou na Fazenda

5,6% de desemprego é o melhor número da história do IBGE. R$ 61,7 bi de rombo fiscal foi o resultado do mesmo ano. Coincidência?

Desemprego no menor patamar da história (5,6%) — e um rombo de R$ 61,7 bi: o saldo que Haddad deixou na Fazenda

5,6% de desemprego. O menor número já medido pelo IBGE.

Isso é só metade do que Haddad deixou pra trás quando saiu do Ministério da Fazenda, em março de 2026.

Do outro lado da mesma gestão: um rombo de R$ 61,7 bi nas contas do Governo Central, fechado no mesmo ano.

A conta, aberta

O IBGE fechou 2025 com 5,6% de desocupação — a taxa mais baixa da série histórica, iniciada em 2012.

Isso levou a população ocupada a 103 milhões de pessoas, também recorde da série.

Só que o Tesouro Nacional fechou o mesmo ano com déficit primário de R$ 61,7 bi no Governo Central. Mais gente trabalhando não é sinônimo de conta pública fechando no azul.

Por que emprego recorde não paga a conta sozinho

Mais gente empregada aumenta arrecadação: INSS, Imposto de Renda, consumo. Isso ajuda.

Mas do outro lado da planilha estão despesas que crescem sozinhas — aposentadorias, benefícios, juros da dívida. Elas não esperam o mercado de trabalho melhorar pra subir.

O resultado foi o que sobrou pro sucessor de Haddad: um recorde bom (5,6% de desemprego) ao lado de um recorde ruim (R$ 61,7 bi de rombo).

Quem cobre esse buraco

Um rombo de R$ 61,7 bi não some — o governo emite dívida pra cobrir. Uma fatia dessa dívida é vendida direto pra pessoa física, no Tesouro Direto.

Mas tem um detalhe: quem compra um título como o Tesouro Prefixado 2031 hoje trava uma taxa de 14,43% ao ano, paga pelo mesmo Tesouro Nacional que registrou o rombo.

R$ 1.000 aplicados a 14,15% ao ano — o CDI de hoje, referência mais comum da renda fixa — viram R$ 1.141,50 em 12 meses. Ou seja: vira credor do mesmo governo que está no vermelho.

O que o sucessor de Haddad herdou

A LDO já sancionou a meta fiscal de 2026: superávit de R$ 34,3 bi. Sair de um rombo de R$ 61,7 bi pra uma meta positiva de R$ 34,3 bi é a distância entre a herança e a promessa.

Só que meta sancionada não é resultado entregue. O desemprego em 5,6% ajuda a arrecadação a caminhar nessa direção — mas sozinho, como 2025 mostrou, não fechou a conta.

”Emprego recorde com déficit não é meio contraditório?”

Não necessariamente. O país emprega mais quando a economia esquenta — e economia esquentando também gasta mais, em previdência, benefícios indexados e juros da própria dívida que financia esse aquecimento.

Os dois recordes de 2025 saíram do mesmo motor. Um decolou o crédito de quem trabalha. O outro decolou o custo do Tesouro.

Do outro lado do rombo

Enquanto o próximo ministro tenta fechar R$ 61,7 bi, quem tem dinheiro parado pode escolher de que lado dessa conta quer ficar.

Compare as opções do Tesouro Direto e veja qual taxa trava hoje — inclusive a mesma dívida que o governo emitiu pra cobrir o próprio rombo.

Desocupação e população ocupada de 2025 conforme IBGE; déficit primário do Governo Central em 2025 conforme Ministério da Fazenda; meta fiscal de superávit para 2026 conforme Câmara dos Deputados. CDI e taxas do Tesouro Direto conforme Banco Central e Tesouro Nacional. Conteúdo educacional.

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