Economia do dia a dia

Senador do Amazonas tem cota mensal de R$ 44.276,60 — o de Brasília, na mesma cadeira, R$ 21.045,20

A cota mensal de um senador varia de R$ 21.045,20 a R$ 44.276,60 conforme o estado — mesma cadeira, mesmo mandato, dinheiro público diferente.

Senador do Amazonas tem cota mensal de R$ 44.276,60 — o de Brasília, na mesma cadeira, R$ 21.045,20

Dois senadores. Mesma cadeira. Cotas mensais bem diferentes.

Um deles, eleito pelo Amazonas, tem direito a R$ 44.276,60 por mês pra cobrir despesas do mandato. Outro, eleito por Brasília ou por Goiás, recebe R$ 21.045,20 pela mesma função. A diferença não é erro nem exceção — é a regra.

O nome oficial do que parece injustiça

Isso se chama CEAPS — Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar dos Senadores. É dinheiro público, separado do salário, destinado a pagar despesas do mandato: passagem aérea, aluguel de escritório de apoio, contratação de consultoria, correspondência.

Não é o subsídio. O subsídio mensal bruto de um senador é fixo pra todo mundo, R$ 46.366,19 — o mesmo valor do teto constitucional do funcionalismo público. A CEAPS é outra conta, por cima.

Mas tem um detalhe. A CEAPS não é igual pra todo mundo — e é aqui que fica interessante.

O mecanismo: geografia virando dinheiro público

Toda cota de CEAPS começa do mesmo lugar: uma verba indenizatória fixa de R$ 15.000,00 por mês, igual pra qualquer senador, de qualquer estado.

Em cima disso soma o custo de cinco passagens aéreas mensais entre o estado de origem e Brasília. E é aqui que a distância decide tudo: quem mora em Brasília ou no entorno praticamente não gasta com isso. Quem mora no Amazonas, a milhares de quilômetros, sim — e o preço dessas passagens é o que empurra a cota pra cima.

É assim que os R$ 15.000,00 de base viram R$ 44.276,60 no Amazonas e ficam perto de R$ 21.045,20 no Distrito Federal e em Goiás. Mesma fórmula, geografia diferente.

A conta, aberta

Coloca os três números lado a lado. Subsídio fixo, R$ 46.366,19; cota no Amazonas, R$ 44.276,60 — quase o tamanho do próprio salário, só pra despesas de mandato; cota em Brasília ou Goiás, R$ 21.045,20, pela mesma cadeira, pelo mesmo trabalho.

Nenhum desses três valores é opcional ou negociável. São tetos fixados por regra, mês a mês, pra 81 senadores — cada um recebendo o que a fórmula manda pro código do seu estado.

O vilão não é o senador — é o critério que ninguém expõe fácil

O problema não é pagar deslocamento de quem mora longe da capital. Faz sentido: um mandato em Brasília, saindo do Amazonas, custa mais caro de sustentar do que saindo de Goiânia.

O problema é que a fórmula soma tudo numa cota só, sem separar o custo real de passagem do resto. O número final vira munição pra qualquer debate, sem o contexto de como foi montado.

”Mas não seria justo mesmo, já que passagem custa caro?”

É a pergunta certa. E parte da resposta é sim — sustentar mandato a milhares de quilômetros da capital custa mais do que sustentar um a poucos minutos dali.

O que a conta não resolve é a outra metade: por que o valor final vira uma cota única e fixa, em vez de reembolso proporcional ao gasto real de cada mês. Um teto fixo alto sobra quando o gasto é menor — e isso é dinheiro público, não é detalhe.

Enquanto isso, no seu bolso

Dinheiro público tem regra própria. O seu, não. R$ 10.000,00 aplicados a 14,15% ao ano — o CDI de hoje — por 2 anos fecham em R$ 13.030,22 brutos, ou R$ 12.575,69 já líquidos de IR, na alíquota de 15% que vale pra prazos acima de 720 dias.

Nenhuma fórmula de estado decide isso por você. Simula o seu próprio valor e prazo na calculadora de juros compostos antes de decidir onde deixar o dinheiro parado.

Números de CEAPS e subsídio consultados no Senado Federal, no Senado Federal e no Senado Federal, com CDI de referência do Banco Central. Conteúdo educacional — não é recomendação de voto ou de investimento.

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