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Tesouro Direto vs CDB: o guia preguiçoso

Essa é provavelmente a dúvida mais comum de quem está começando a organizar a renda fixa: Tesouro Direto ou CDB? A resposta preguiçosa (e correta) é “depende de três coisas” — liquidez, garantia e Imposto de Renda. Vamos direto ao ponto.

O que é cada um, em uma frase

Tesouro Direto é você emprestando dinheiro para o governo federal — é considerado o investimento de menor risco de crédito do país, porque quem paga a dívida é o Tesouro Nacional.

CDB (Certificado de Depósito Bancário) é você emprestando dinheiro para um banco, que usa esse dinheiro para suas operações de crédito e te devolve com juros — o rendimento costuma ser expresso como um percentual do CDI (ex.: “110% do CDI”).

Ponto 1: Garantia

Aqui está a diferença mais importante que pouca gente sabe explicar direito.

O Tesouro Direto não tem “garantia” no sentido de seguro — a segurança vem do fato de ser dívida do governo federal, que historicamente é o devedor mais confiável do país.

O CDB, por outro lado, é garantido pelo FGC (Fundo Garantidor de Créditos) até o limite de R$ 250 mil por CPF, por instituição financeira (com teto global de R$ 1 milhão a cada 4 anos). Isso significa que, mesmo que o banco emissor quebre, o FGC cobre seu dinheiro até esse limite. Na prática, isso torna CDBs de bancos menores — que costumam pagar percentuais de CDI mais altos para atrair depósito — relativamente seguros, desde que você respeite o teto do FGC.

Ponto 2: Liquidez

Liquidez é a velocidade com que você consegue transformar o investimento em dinheiro na conta sem perder rentabilidade.

  • Tesouro Selic: liquidez diária, com recompra garantida pelo Tesouro Nacional (D+1 útil para cair na conta). É o título público mais líquido que existe.
  • Tesouro prefixado / IPCA+: também tem recompra diária, mas o preço oscila com o mercado — vender antes do vencimento pode significar ganhar mais ou menos do que o esperado.
  • CDB com liquidez diária: existe e costuma pagar um percentual de CDI menor que CDBs “travados”.
  • CDB sem liquidez (com carência ou só no vencimento): geralmente paga mais % do CDI exatamente porque você abre mão de sacar antes do prazo.

Ponto 3: Imposto de Renda

Aqui os dois empatam: tanto Tesouro Direto quanto CDB seguem a tabela regressiva do IR para renda fixa, que varia conforme o tempo que o dinheiro fica aplicado — quanto mais tempo, menor a alíquota (começa em 22,5% para até 180 dias e cai até 15% acima de 720 dias). Não existe isenção de IR em nenhum dos dois — diferente de LCI/LCA, que são isentas para pessoa física.

Tabela resumo

CritérioTesouro Direto (Selic)CDB liquidez diáriaCDB travado
RiscoDívida do governo federalGarantido pelo FGC até R$ 250 milGarantido pelo FGC até R$ 250 mil
LiquidezD+1, diáriaDiáriaSó no vencimento (ou carência)
Rendimento típico~100% da Selic90%–100% do CDI100%–130%+ do CDI
IRTabela regressivaTabela regressivaTabela regressiva

O veredito preguiçoso

Para a reserva de emergência, Tesouro Selic é difícil de bater: segurança máxima e liquidez diária real. Para dinheiro que você sabe que não vai precisar por um tempo, vale comparar CDBs de bancos médios com boa reputação pagando acima de 100% do CDI (respeitando o teto do FGC) — geralmente rendem um pouco mais que o Tesouro Selic pelo mesmo prazo.

Se você quer simular quanto isso vira ao longo do tempo com aportes mensais, use nossa calculadora de juros compostos, que já trabalha com percentual do CDI. E se já decidiu pelo Tesouro Direto, use o comparador de Tesouro Direto para ver qual título rende mais líquido no seu prazo — ele simula a partir de R$ 30, diferente dos grandes comparadores que exigem R$ 5.000.

Fontes

Regras de FGC, tabela regressiva de IR e mecanismo do Tesouro Direto consultados nas páginas oficiais do Tesouro Direto e do Banco Central do Brasil, referência julho de 2026.

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