14,15% contra 14,41%: dois números quase iguais que não pagam o mesmo no fim
Um CDB rende 100% do CDI: 14,15% ao ano. Um Tesouro Prefixado trava 14,41%. A diferença parece pequena — até você ver o saldo final.
Dois CDBs prometem quase a mesma coisa. Um rende 100% do CDI. O outro trava uma taxa prefixada um pouco maior — e é aí que a conta muda.
Na propaganda, os dois parecem opções parecidas de renda fixa. No extrato, depois de anos rendendo, um deles devolve mais dinheiro. Ninguém te mostra essa conta antes de você assinar.
O detalhe que separa os dois CDBs
Um CDB que promete 100% do CDI paga, hoje, 14,15% ao ano — porque é isso que o CDI está pagando agora. Ele sobe e desce junto com os juros da economia.
Já um Tesouro Prefixado com vencimento mais distante trava a taxa no momento da compra. Hoje, um desses títulos oferece 14,41% ao ano — fixo, até o vencimento, não importa o que aconteça com o CDI depois.
Só que ninguém faz essa conta.
A conta que ninguém faz antes de escolher
Pega R$1.000 aplicados por 10 anos. No CDB a 100% do CDI, a 14,15% ao ano, esse dinheiro vira R$3.756,29 (bruto). Depois do Imposto de Renda, sobra R$3.342,85.
No Tesouro Prefixado a 14,41% ao ano, os mesmos R$1.000 chegam a R$3.842,73 (bruto). Líquido de Imposto de Renda, o saldo fica em R$3.416,32.
A diferença não grita. Mas ela é real — e ela é sua, ou é do banco.
Onde o juro composto vira o fiel da balança
A diferença entre as duas taxas parece pequena no papel. Só que juro composto trabalha em cima do que já rendeu, ano após ano. Uma taxa um pouco maior, mantida por uma década inteira, deixa de ser “quase igual” — vira um saldo final diferente.
E é aqui que fica interessante: quanto mais tempo o dinheiro fica parado, mais essa diferença de taxa trabalha a seu favor (ou contra você, se você escolher a opção errada sem saber).
O que o banco não coloca no anúncio
O aplicativo do seu banco anuncia “rende 100% do CDI” como se isso fosse o topo da prateleira. Não é. Existem títulos prefixados, sempre disponíveis no Tesouro Direto, travando taxas mais altas para quem pode deixar o dinheiro parado por anos.
Ninguém compara os dois na tela de abertura do app. Se você ainda não decidiu entre CDB e Tesouro Direto de forma mais ampla, o guia completo está em Tesouro Direto vs CDB: o guia preguiçoso.
Quando cada um dos dois ganha
Se o dinheiro é a sua reserva de emergência, esquece a taxa mais alta. Liquidez diária pesa mais que qualquer rendimento — você precisa poder sacar amanhã, não daqui a 10 anos.
Se é dinheiro que você não vai tocar por anos, a conversa muda. Travar uma taxa prefixada maior hoje significa não depender de o CDI continuar no patamar atual lá na frente.
A pergunta que fica
Mas e se o CDI subir ainda mais e o CDB a 100% do CDI passar a pagar mais que o prefixado travado? É possível — ninguém tem bola de cristal sobre juros. É por isso que essa escolha não é sobre acertar o futuro: é sobre saber, hoje, que uma taxa flutua e a outra trava.
Não dá pra saber qual das duas pesa mais no seu bolso sem fazer a conta com o seu próprio valor e o seu próprio prazo. E fazer essa conta não precisa ser chato.
Se quiser rodar esses números com o seu valor, seu prazo e sua taxa, simule na calculadora de juros compostos.
Taxas de CDI e de Tesouro Prefixado consultadas na B3 e no Tesouro Direto, com dados de julho de 2026 — conteúdo educacional, não é recomendação de investimento.
Leia também
R$100 na poupança viram R$149,08 em 5 anos — no CDI, os mesmos R$100 viram R$191,70
Seu dinheiro pode fechar essa conta sozinho, todo santo dia, sem você abrir o aplicativo. Mas só se ele morar no lugar certo.
106% do CDI: o número que o banco adora anunciar — e o que ele paga de verdade
Seu banco promete 106% do CDI e some da conversa. Fizemos a conta com a taxa de hoje: quanto isso vira no seu bolso, de verdade?
O banco de Daniel Vorcaro era só 0,57% do sistema financeiro — mas o rombo estourou o teto do FGC
O banco de Daniel Vorcaro era só 0,57% do sistema financeiro, segundo o Banco Central — mas o rombo esbarra no teto de R$ 250.000 do FGC.