R$1.000 na poupança viram R$1.173,08 em 2 anos. No Tesouro Selic, os mesmos R$1.000 viram R$1.249,82
Mesmos R$1.000, mesmo prazo, contas diferentes. Testamos poupança, Tesouro Selic e prefixado com as taxas de hoje — qual leva a melhor?
R$1.000 rendem R$1.249,82 num lugar. E R$1.173,08 no outro.
É o mesmo dinheiro. É o mesmo prazo: 2 anos parados, sem mexer. Só muda a casa onde ele dorme.
A pergunta que você está fazendo errado
“Onde investir R$1.000” não é bem a pergunta certa. A pergunta certa é: por quanto tempo esse dinheiro vai ficar parado, e quanto risco você aceita levar por isso.
Responde essas duas coisas primeiro. O resto é só aritmética — e a aritmética, com os números de hoje, cabe inteira neste post.
O piso: o que acontece se você não fizer nada
Boa parte do dinheiro parado no Brasil está na poupança, na conta que já existia antes de você pensar em investir.
A regra dela é simples e é a mesma desde sempre: sempre que a Selic passa de 8,5% ao ano, a poupança trava em 0,5% ao mês e não sobe mais, não importa o que o Banco Central faça depois.
Nos últimos 12 meses ela pagou 8,308652173064024%, arredondando, 8,31% ao ano — esse é o número real, não o da regra. Rodando R$1.000 por 2 anos nessa taxa, isento de Imposto de Renda, o saldo final fecha em R$1.173,08.
Não é ruim. É só o piso — e quem quer sair dele sem complicar tem o caminho mapeado em como começar a investir com pouco.
A porta de entrada mais barata do Tesouro Direto
Um degrau acima da poupança, sem trocar de banco nem de aplicativo, está o Tesouro Selic — o título público que acompanha a taxa básica de juros.
O Tesouro Selic 2028 pede um mínimo de R$199,50 pra entrar. Rodando R$1.000 por 2 anos na taxa Selic de hoje, 13,75% ao ano, e descontando os 15% de Imposto de Renda de quem segura o título por mais de 720 dias, o saldo final fecha em R$1.249,82.
Mesmos R$1.000. Mesmos 2 anos. R$1.173,08 numa conta, R$1.249,82 na outra.
Quem ainda pesa CDB de banco contra Tesouro Selic encontra a conta feita, lado a lado, em o que rende mais: CDB ou Tesouro Selic.
Mas tem um detalhe: e se o prazo for mais curto?
Nem todo mundo consegue travar 2 anos. Se o plano é resgatar em 1 ano, a régua do Imposto de Renda muda — cai na faixa de 17,5%, não mais 15%.
O Tesouro Prefixado 2029 trava a taxa na entrada: 13,83% ao ano, sabido do primeiro dia. O mínimo pra entrar é R$30. Rodando os mesmos R$1.000 por 1 ano nessa taxa, com os 17,5% de IR já descontados, o saldo final fecha em R$1.114,10.
Menos tempo rendendo, alíquota mais alta — o saldo reflete os dois.
E o medo de errar o timing da inflação?
Esse é o vilão estrutural que ninguém te explica direito: prefixado trava a taxa, mas não trava contra a inflação. Se o IPCA disparar, o ganho real (descontada a inflação) encolhe.
Pra quem quer travar contra esse risco específico, existe o Tesouro IPCA+ 2029 — hoje pagando 7,5% ao ano acima da inflação, com entrada mínima de R$39,24. A inflação medida nos últimos 12 meses está em 4,22%, e é justamente essa fatia que o IPCA+ promete cobrir, mais os 7,5%.
A objeção que falta responder: “e se eu precisar do dinheiro amanhã?”
Todo título do Tesouro Direto tem recompra garantida pelo Tesouro Nacional a qualquer dia útil — a liquidez não é o problema.
O problema é o Imposto de Renda regressivo: quanto antes você tira o dinheiro, mais alto o desconto. As faixas são fixas — 22,5% até 180 dias, 20% de 181 a 360 dias, 17,5% de 361 a 720 dias, 15% depois disso — e valem pra qualquer título de renda fixa, banco ou Tesouro. Some ainda a taxa de custódia da B3, de 0,20% ao ano sobre o saldo em Tesouro Direto.
Antes de mandar os R$1.000 pra qualquer lugar, simule os títulos disponíveis hoje, com as taxas de hoje, no comparador de Tesouro Direto — sem estimativa, sem chute, com o número que vai valer na sua conta.
Dados de mercado (Selic, IPCA e rentabilidade da poupança) vêm do Banco Central e do Tesouro Nacional, atualizados diariamente — conteúdo educacional, não é recomendação de investimento.
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