A poupança não paga IR e mesmo assim perde: R$ 10.000 chegam a R$ 22.214 contra R$ 32.736 em 10 anos
Com as taxas de hoje (poupança a 8,31%, CDI a 13,9%), o imposto que só o CDI paga não salva a poupança. Qual é a conta aberta em 1, 5 e 10 anos?
A poupança não paga Imposto de Renda e, mesmo assim, perde.
Essa isenção é o argumento favorito de quem empurra a poupança na agência. Soa como vitória por W.O. — até você colocar o imposto ao lado da taxa.
Dois clones, R$ 10.000 cada e uma correção de vocabulário
Imagine dois clones seus, cada um com R$ 10.000 na mão. Um deixa tudo na poupança. O outro põe num investimento que paga 100% do CDI.
Antes de abrir o extrato deles, a correção: o CDI não é um lugar onde você guarda dinheiro. É a régua que CDBs, contas digitais e fundos DI usam pra calcular o que pagam. O caso específico do CDB tem comparativo próprio.
Então a pergunta de verdade não é “poupança ou CDI?”. É “poupança ou um investimento que anda com o CDI?”.
Rodada 1: 13,9% contra 8,31%, antes do imposto
Hoje o CDI paga 13,9% ao ano. A poupança, medida nos últimos 12 meses, pagou 8,31%.
Essa distância é fórmula, não acaso. Com a Selic acima de 8,5% ao ano — hoje ela está em 13,75% —, a poupança paga só 0,5% ao mês mais a TR, uma trava que não sobe quando os juros sobem. O CDI acompanha a Selic pra cima e pra baixo.
Pro banco, isso é captação barata: com a Selic alta, o custo dele fica preso na fórmula. Pra você, é o mesmo dinheiro rendendo menos.
Rodada 2: o imposto que só um dos dois cobra
E é aqui que fica interessante. O CDI paga Imposto de Renda (IR) regressivo: 22,5% se você saca em até 180 dias, 20% até 360 dias, 17,5% até 720 dias e 15% depois disso.
O imposto incide só sobre o ganho, nunca sobre os R$ 10.000 que você colocou. A poupança, pra pessoa física, é isenta.
Quem resgata cedo sente a alíquota mais alta, e este post mostra quanto sobra do número anunciado numa conta que promete 100% do CDI.
O gerente adora esse contraste porque ele cabe numa frase: “poupança é isenta”. Só que ninguém faz a conta completa. Então vamos fazer.
O placar: as duas gavetas abertas lado a lado
Premissa: as taxas de hoje ficam congeladas o período inteiro — poupança a 8,31%, CDI a 13,9%. Não é previsão, é a conta de hoje esticada no tempo. Cada gaveta começa com R$ 10.000.
| Prazo | Poupança (isenta de IR) | 100% do CDI, já com IR |
|---|---|---|
| 1 ano | R$ 10.830,87 | R$ 11.146,75 (IR de 17,5%) |
| 5 anos | R$ 14.904,44 | R$ 17.794,37 (IR de 15%) |
| 10 anos | R$ 22.214,24 | R$ 32.736,05 (IR de 15%) |
Mesmo com a mordida do imposto, o CDI sai na frente já no primeiro ano. Dali pra frente a distância só cresce, porque juros passam a render sobre juros — e a taxa dele é bem maior.
E se forem só R$ 100? Depois de um ano, R$ 108,31 na poupança contra R$ 111,47 no CDI. O tamanho do bolso muda o valor, não a ordem do placar.
Rodada 3: onde a poupança ainda ganha (e o preço escondido dela)
A poupança ganha em simplicidade: abre, deposita, saca no mesmo dia, sem escolher produto nem ler letra miúda. Se você precisa do dinheiro amanhã sem pensar, ela cumpre o combinado. Só que cobra o preço numa regra que quase ninguém lembra: o rendimento só entra no “aniversário” do depósito, e sacar antes disso derruba o ganho daquele mês.
A objeção do gerente: “poupança é mais segura”
É a objeção certa, e a resposta é menos dramática do que ele sugere. Um CDB de banco autorizado entra no FGC igual à poupança, dentro do teto por CPF e por instituição.
O que muda o jogo é a letra miúda do produto: prazo de resgate, limite de saldo e a alíquota de IR do dia em que você sacar.
E a inflação? Hoje a poupança ganha do IPCA: 8,31% contra 4,22% em 12 meses. O problema não é perder pra inflação, é perder pro CDI.
O único passo que falta
Pegue o seu valor e o seu prazo — não os R$ 10.000 do exemplo — e rode nas duas taxas na calculadora de juros compostos. É a conta dos seus clones, com os seus números.
Selic, CDI, poupança e IPCA conforme Banco Central do Brasil e IBGE, dados de 17 de setembro de 2026. Alíquotas de IR conforme tabela regressiva da Receita Federal; projeções assumem taxas constantes. Conteúdo educacional, não é recomendação de investimento.
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